domingo, 30 de junho de 2019

O que sobrou? Confissões que não importam a ninguém



Havia criado este blog para dar continuidade a uma velha ideia de ir comentando coisas que me incomodam e, sobretudo, perturbam na vida. Obviamente, eu queria que essas coisas fossem do âmbito público, que pudessem, por ventura, estar perturbando muitas outras pessoas. Com o tempo meu ânimo me dissuadiu pelo fato de eu não poder lançar senão mais senso comum em aspectos do cotidiano do que alguma visão particular. Os meus limites estão postos logo ali na frente. Percebo-os cada vez mais e o que me aflige é não ter a oportunidade de estar em outros contextos para que possa superá-los minimamente.  Como poderia fazer isso? Bem, eu tenho minhas preferências, é claro. Seria podendo frequentar contextos artísticos: boas peças de teatro, ver bons filmes, escutar boas apresentações e estudar com rigor e conviver com pessoas apaixonadas por aquilo que estudam ou sentem alguma ligação de ordem da curiosidade. Estar no RS, preso por questões econômicas logo na metade mais pobre desse estado - não que a região mais próspera tenha muita vantagem além de um provincianismo artístico autofágico - tem me criado a sensação de estar morrendo intelectualmente e, nos últimos tempos, fisicamente também. Vejo meu tempo passar sem parar e nenhum futuro pela frente. Muito menos o futuro que eu tanto almejei. A sensação é de estar num processo de morte precoce. Antes do ponto final propriamente dito. 
Por essa razão creio que não poderei fazer desse espaço senão algo entre um diário de confissões e comentários sobre problemas da sociedade que me incomodam. Não tenho a acrescentar nenhum ponto de vista novo ou inusitado, privilegiado que possa interessar um possível leitor. Também duvido que os possa ter. Se algum aqui aparecer: Seja bem-vindo. Considero meio pretensioso ficar escrevendo sobre si mesmo, mas, não tendo nada além de minhas próprias experiências, o que mais poderia escrever? Nada sei e, no estado em que me encontro, nada saberei por muito tempo. Para além da autorreferencialidade dominante dessa contemporaneidade nossa, tentarei por a imaginação para funcionar sempre que for possível nesse espaço.  Esperemos que eu consiga já que não tenho lá grandes experiências também. 
Salut.
Obs: Esperemos que dessa vez consigamos manter alguma regularidade aqui.