segunda-feira, 18 de maio de 2020

Transformando igrejas de Bagé em bibliotecas




Há alguns anos li em um jornal da cidade de Bagé que faltavam interessados em administrar a Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, nessa mesma localidade. Pensei comigo: Como isso é possível? Bem, não é problema meu os descaminhos da igreja católica e, assim que entendi o problema de modo geral, eu realizei a minha proposta: Transformem o local em uma biblioteca. Era uma provocação, claro. Mas não tão despropositada. Tão logo a enunciei por ai sem a menor repercussão, me coloquei a imaginar uma enorme biblioteca temática. Uma biblioteca direcionada para livros especializados em arte e literatura – Por que não toda a coleção da editora Cosac Naify? –, com os longos bancos cedendo espaço às estantes, espaços diminutos entre elas dificultando olhares curiosos sob os livros nas prateleiras inferiores. Um bibliotecário inteligente – coisa rara, eu sei. – no balcão do órgão catalogando novos livros. O altar preservado como ambiente de rodas de conversas e debates. A sacristia como o espaço dos livros raros. As portas dianteiras refrescando o ambiente nos verões quentes da cidade de Bagé. E por que não aproveitar a acústica para realizar concertos? Quem sabe audições comentadas com músicos talentosos de todo o Brasil e Uruguai. As portas sempre abertas. O horário de funcionamento adentrando o avançar da noite. As conversas dos frequentadores se expandindo pela Praça Esporte e terminando nos quiosques entre cervejas e pastéis.  Por que não? É possível. É distante, porém possível. Minha imaginação e o pouco que pude apreender sabem que é possível. A possibilidade, no entanto, desaparece ao vento como minhas palavras. Por ora, só parece ser possível a missa com os padres incultos de sempre, sermões medíocres para até o mais desatento dos fiéis, e a velha pintora carola reclamando pela construção de uma concha acústica na praça em frente à igreja.  Para ela, um bizarro constructo a obliterar a magnitude de seu conservadorismo sustentado em latifúndios, explorações e ossos despedaçados por guerras infames.
Diante do real, eu prefiro minha biblioteca a impulsionar conversações criativas.

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